"Sem palavras"
"Existem alturas da nossa vida em que as palavras não soam a rigorosamente a nada.
Embrulhadas em adjectivos ou acentuadas na riqueza semanântica, em determinadas alturas elas soam sempre a vazio, a nada.
Podemos embelezá-las com ricos substantivos mas as palavras continuam a não ecoar no espaço, continuam a não valer nada.
Nestas ocasiões, o tempo não flui. Ou esvai-se à estonteante velocidade da luz que olhamos em redor e tudo nos passa sem conseguirmos reconhecer o que nos quase acertou e perante todo aquele irrequieto movimento, sentimo-nos estásticos, presos a algo que não identificamos mas que nos deixa num estado de coma lúcido.
O que dizer a um colega... um companheiro... um amigo... a alguém que a nosso lado travou as mesmas lutas, partilhou os nossos sacrifícios, apontou-nos o caminho difícil como o mais enriquecedor, enfim, uma incontável série de situações difíceis de enumerar, (...) uma pessoa que se tornou mais família que aquela que em casa temos, perder a sua luta, os seus objectivos (quaisquer que sejam ou fossem), o seu ganha pão em apenas poucos segundos?
O que dizer nesta hora em que, sei bem, não se quer ouvir nada de alguém?
Oito irmãos de luta diária nos últimos onze anos e meio caíram no desemprego!
Choque. Vazio. Dor. Lamento. Revolta. Agonia. Medo. Angústia. Frustração.
Tudo senti mas apenas verbalizei não tenho palavras para vos dizer.
A todos, embora com cada um a convivência (mais ou menos intensa, com maior ou menor cumplicidade pessoal e profissional) tenha tido características diferentes que a distingue aos oito, vos digo: obrigado por tudo o que partilharam comigo porque me enriqueceram como pessoa e profissional."
Tudo isso retirado do nosso vizinho Um Americano nos Açores.
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