"Venho, por este meio, tentar alertar e sensibilizar para algo recorrente e que durante alguns anos a esta parte tem sido um problema, pelos vistos digno de Einstein. Tenho neste momento 30 anos e, embora não pratique bodyboard como gostaria ou como em anos passados, e já lá vão alguns, ainda ontem me deparei com o tal mesmo problema de sempre na Praia das Milícias vulgarmente conhecida como do Pópulo. O que acontece naquela praia, além de ridículo, na minha opinião é claro, é inconsequente e incoerente. Ora senão vejamos; o mar é de todos nós, para ser desfrutado, respeitado e preservado, mas o que acontece não é bem assim.
Quando as condições do mar assim favorecem (naquela praia) alguns bodyboarders e surfistas tentam usufruir da mesma mas deparam-se com o excesso de zelo (na minha opinião) e com uma forte amnésia. Amnésia porque, nessas condições, ou seja, mar com 1m, 1,5m ou mais, muitas vezes quem ajuda os banhistas e os nadadores-salvadores a salvarem vidas somos nós. Mas porque talvez se esqueçam disso, à primeira oportunidade tratam de agir sobre quem os ajuda. Ingratidão? Talvez. Em vez de agirem sobre aqueles que prevaricam tendo em conta a bandeira assinalada recorrem a nós. O problema é antigo. Até de mais, se me permitem. Desde os 13 anos que pratico bodyboard como já referi anteriormente e, pondo em risco também a minha vida, já ajudei alguns banhistas e nadadores-salvadores inclusive.
E como eu, muitos mais amigos bodyboarders e surfistas também o fizeram. Porque a vida, acima de tudo, é o mais importante. Sendo assim, porque não adoptar medidas que agradem a todos? Não sei responder a esta pergunta, mas assim como outros, poderei dar algumas pistas. Qual o sentido de naquela praia não ser permitida a prática deste tipo de desportos na zona que melhor condições oferece quando o mar permite e que é inversamente proporcional no sentido de quem quer tomar banho? Porque, quando o mar tem essas tais referidas condições, a zona em que até o mar não está tão agressivo é precisamente aquela que nem é vigiada e que provavelmente seria mais segura para os banhistas? A minha conclusão é que é mais fácil “chatear” uns poucos do que mudar uns quantos.
O que até seria correcto mas não se aplica neste caso pois são vidas potencialmente em risco. Bem sei que aquela zona da praia com mais ondas é também a dita das famílias, mas se calhar há que sensibilizar e mudar mentalidades, evoluir. Ou certamente os meus netos ainda terão este tipo de problemas."
Filipe Ledo Tavares, no AO de hoje, 2 de Julho. Muito bem Filipe é assim mesmo.
Sem comentários:
Enviar um comentário