No que toca a ler com prazer, há duas siglas que não encontram paralelo: JNAS e RIP.
O próximo texto é do segundo:
"Havia uma seita religiosa, os chamados cristãos cátaros, que tinha um costume encantador e profilático. Assim que um moribundo recebia a extrema-unção, uma piedosa comitiva de abafadores apressava-lhe a morte aplicando uma almofada sobre o nariz e a boca, não fosse ele ter a tentação de pecar já depois do perdão dos pecados. As pessoas vivas têm uma aborrecida tendência para pecar que as distingue das mortas, que são invariavelmente mais sensatas. Não havendo, na democracia, a figura higiénica do abafador, Otelo pôde continuar a pecar depois de ter participado na Revolução dos Cravos, feito que garante a redenção de qualquer alma. É justo. O dia 25 de Abril deu-nos a liberdade toda, incluindo a liberdade de sermos uns palermas. Por isso, muito obrigado, Otelo. E continue a desfrutar, se tem mesmo de ser."
RIP in Visão de hoje, 29 e Abril de 2011.
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