Roberto Medeiros sonhou uma casa em cima da rocha, à beira do mar, junto ao porto da Caloura. Munido dos meios tidos como ideais - dinheiro e conhecimentos - mas desprovido de algo mais essencial - bom senso para compreender a alarvidade do seu projecto - fez nascer a obra.
Algo que me deixa invariavelmente estupefacto é a possibilidade de se poder utilizar a lei contra si própria. Como é que uma entidade supostamente idónea, a edilidade, permite uma construção que viola a lei, viola um plano de ordenamento, abre um precedente? Com que poder dirão a quem queira construir um imóvel similar, num local similar, que não o poderá fazer? Desde quando é que se permite construir no calhau? No chamado Domínio Público Marítimo. Só se vivêssemos em 1863. Poderemos depois entrar pela casa dentro e servir-nos duma bebida, já que é público?
Consta que foi licenciado como apoio a actividades náuticas. Que actividades? Uns mergulhos e uns banhos de sol? Pescarias e churrasco a seguir? Gostava que os meus netos e os filhos e netos deles conhecessem a ilha verde que eu conheci, em vez da ilha dos mamarrachos em que alguns pretendem transformá-la. Será pedir muito que, em nome de algum equilíbrio paisagístico e coerência institucional, embarguem a obra que nunca deviam ter autorizado? Vou mais longe: só se o “chico espertismo” nacional fosse considerado em termos de mais-valia turística é que se justificaria a manutenção daquele “monumento”. Enquanto isso não sucede, a única solução é a demolição imediata."
No Açoriano Oriental desse sábado, 9 do mês da liberdade.
Olha para ele - o ex Mayor da Lagoa, mr Roberto Medeiros, no seu livrocascaras.com, a ser entrevistado. Juro que não alterei o penteado do dito no fotoshop. Ele é que fez aquilo, ainda essa ferramenta informática não tinha sido criada:

Curioso é que no mesmo jornal que publicou essa demuncia, em forma de crónica, do meu amigo Mário, apareceu esse comunicado:
"Câmara embarga obra na Caloura de ex-vereador"
"A Câmara Municipal da Lagoa (CML) embargou uma construção, com cerca de 30 m2, em zona do Domínio Público Marítimo, junto ao Porto da Caloura, propriedade de um ex-autarca da CML. O embargo surge após a detecção de irregularidades ao projecto aprovado pela autarquia, na sequência de uma acção de fiscalização conjunta da Inspecção Regional do Ambiente e da Câmara.
O município assegura que o dono e o responsável técnico pela obra foram notificados para proceder à correcção da mesma, que consiste na recuperação de uma pequena infra-estrutura já existente na Caloura. “A CML demarca-se de eventuais insinuações relativas à existência de qualquer favorecimento a um ex-autarca, atendendo a que as alterações efectuadas não eram do seu conhecimento”, frisa a autarquia."
Afinal parece que compensa ser um cidadão interventivo. É que não foi só o Mário, antes os blogs "farol de ideias (o verdadeiro)" e "TERRA LIVRE" já o tinham feito, assim como a associação acológica amigos do calhau já tinham demostrado serem cidadãos activos, conscientes, muito responsaveis e que gostam muito da nossa Terra.
Bem hajam. Sim senhores é assim mesmo
1 comentário:
E este é um de muuuuuuuuuiiitos que ora sabemos e tapamos os olhos, ora desconhecemos.
Quando for "corrupta" (palavra forte) vou ser "política" (outra palavra forte) e vou materializar todos os meus sonhos... aahhh pous é!
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