Hipoglicemia - Overdose, S.A.

"Começam por um charro, normalmente de erva, haxixe ou pólen. Fumam nas escolas, em casa, na rua, em festas de amigos ou até em locais públicos. A mesada dos pais vai dando para os primeiros consumos. Vinte euros, depois 30...depois 40...Alguns ficam-se pelas primeira experiências, outros continuam e passam à fase seguinte, àquela que sempre disseram estar imunes: as drogas pesadas. Aqui já entra o consumo de cocaína e heroína. Pelo meio talvez uns comprimidos de ecstasy ou uns speeds. Hoje, em São Miguel uma dose de heroína, custa na rua uns míseros 5 euros (cinco euros!), ou seja, é mais barata uma “dose” do que uma ida ao cinema com os amigos. A resposta a esta baixa de preços tem múltiplas vertentes. Quem anda na rua em contacto com os toxicodependentes avança com a ideia de que o aumento do desemprego está a levar mais gente para o tráfico de droga, uma espécie de empresários em nome individual que com o recurso a um simples telemóvel e meia dúzia de contactos no Continente consegue montar o seu negócio. Uma rede de contactos potenciada pela prática de outros crimes que levam os condenados a cumprir penas de prisão fora da Região. Aí estabelecem contacto com outros presidiários e é o começo do negócio. Se porventura ainda existem alguns “Barões” ou “Senhores” da droga nos Açores, a realidade contudo é outra e proliferam os “empresários em nome individual”, uma espécie de empreendedores à margem da Lei. Aparentemente a proliferação de traficantes e a concomitante queda dos preços tem uma “vantagem”: com a heroína em saldo, tem baixado os índices de criminalidade associados ao consumo de estupefacientes, em concreto, os roubos e furtos. Por outro lado, o baixo preço está a levar a que jovens cada vez mais novos comecem a consumir drogas duras, havendo registos de crianças de 12 e 13 anos a consumirem heroína em São Miguel. Um cenário muito preocupante e que talvez possa, de uma vez por todas, fazer soar as campainhas nos gabinetes de quem pensa e define as estratégias de combate à droga. E estes responsáveis pela política das toxicodependências tem necessariamente que dar ouvidos a quem anda no terreno, em particular aos polícias que regularmente são confrontados com o tráfico, o consumo, prostituição e roubos que em regra conformam o decadente mundo da droga. Basta relembrar esse filme emblemático para toda uma geração “Christiane F. – Os filhos da droga” para se ter uma ideia do cenário. Se nada for feito, se não se tiver a coragem de perceber que o caminho até agora seguido tem produzido poucos ou nenhum sucesso vamos continuar a assistir ao aumento do número de traficantes, ao aumento do consumo e ao aumento da desgraça dos filhos de todos nós. Não basta produzir leis e cruzar os braços, há que perceber se essas leis são exequíveis e, sobretudo, se temos os meios necessários para as fazer cumprir. Sem isso, nada feito."

Por Paulo Simões, logo na segunda página do AO de hoje, 17 de Outubro.

5 comentários:

K2ou3 disse...

Alguem tem a certeza de que isto é realmente "Droga"?.
Ou são realmente uns pós?.
Só se espera que sejam de boa qualidade, que não façam mal.

Anónimo disse...

Eles vendem droga na rua como quem vende cebolas. Até param o carro no meio da rua para vender e os outros automobilistas que esperem para passar. Incrível!

Anónimo disse...

A ideia de que se começa com um charro e se passa à fase seguinte, equivale a dizer que quem começa com uma cervejola acaba no uisque ou no vodka.

O que acontece é que, na maior parte das vezes, quando não têm 1 charro para fumar, procuram esse prazer noutras substâncias.

Na realidade é a proibição da cannabis que favorece " a passagem à fase seguinte" e enquanto isto não for compreendido o problema continuará a agudizar-se.

Anónimo disse...

legalizem a Canabis, e pena de morta para substancias como EROINA, COCA E MAIS ALGUMA QUE EU NÃO TENHA CONHECIMENTO.

E. Raposo disse...

E isso porque não leste o Correio dos Açores de hoje, dia 19. Passa na minha casa e lê.

Gritam bacalhaus na Noruega.