
Bandeira retirada desse mastro.
Jorge do Nascimento Cabral exerceu o seu direito de opinião sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo. E eu vou, agora, exercer o meu direito. É isso que a Democracia tem de muito bom e bonito. E depois, às vezes gosto de saber as opiniões do outro lado. Nem que seja só para poder dizer depois: Ah! Isso é verdadeiramente parvo! Ainda por cima o assunto já estava mais ou menos arrumado, faltando só a Promulgação para dedicarmos a assuntos, no mínimo mais urgentes e abrangentes.
Meu caro senhor, cujo nome é uma frase, “comportamentos desviantes” tiveram (e de acordo com alguns elementos da PJ, continuam a ter) alguns membros do seu partido. Do seu e do outro com menos um D. Ah! Mais um ou outros, dos restantes. E o Chefe de Estado nunca actuou (quer dizer, tirando o episódio Santa Lopes…) porque razão ele iria obrar, agora, a favor dessa sua caturrice (sua e de mais um ou dois, vá, mas cuja a Natureza e um qualquer Smilodon tratou de eliminar) sob a “inversão da existência humana”? Para já isso de “contra – natura” tem muito que se diga: já foi provado que na Natureza não somos a única espécie em que existem relações com indivíduos do mesmo sexo. E depois, de acordo com Darwin, para bem da espécie, só os mais fortes sobreviverão. Com isso, ele queria dizer, entre demais características, indivíduos com mais de um metro e meio.
Mas há mais: de acordo com o dito, as crianças que, “mais cedo ou mais tarde” serão adoptadas, “hão-de ser discriminadas, psicologicamente desequilibradas, apontadas a dedo e incapazes de saber o que é ter um Pai e uma Mãe a dar corpo à instituição milenar chamada Família.” Meu caro o senhor nessa última frase só cometeu um erro: o tempo verbal. Não é: “hão-de”, mas sim há – do presente indicativo de verbo haver. Ou será que o senhor nunca ouviu falar do Bibi e seus compinchas?! Só mais um pequeno pormenor sobre esse assunto: eu não conheço nenhum homossexual que não tivesse nascido de uma relação heterossexual. E olha que conheço muitos. Muitas é que já são poucas, infelizmente.
Depois há pérolas como essa de pedir a um Presidente da República de um Estado que “não adopta qualquer religião" o seguinte: “Sabe, Excelência, há muita gente normal que tem naturais tentações para violar alguns preceitos elencados dos Dez Mandamentos, mas o discernimento, o respeito pela liberdade dos outros aconselham contenção, ou, em casos mais extremos, tratamento médico. Postas as coisas neste termos, apelo ao Presidente da República de Portugal, que medite e não hesite em assumir as suas responsabilidades como garante da vontade maioritária do povo português, que já deu provas de rejeitar os estranhos modos de vida que uma certa e irresponsável esquerda quer impor a todos nós.” Lindo não?! E vamos lá ver se percebemos: esse senhor não quer que uma pequena parte da nossa sociedade (não se sabe muito bem que percentagem, pois muitos ainda escondam-se, sendo infelizes e que opiniões como a sua não ajudam em nada, e quer impor os Dez Mandamentos ao resto do país, é isso?!
Eu podia desejar que fosse procurar elefantes gays para África para aprender que isso de “contra – natura” não existe e talvez levava uma trombada que corria o risco de morrer de fome pelo ar. E que depois fosse tratado pelo departamento médico do Benfica e, assim, ver Natal dos Hospitais ao vivo. Podia mas não vou fazer isso. Em vez, vou sugerir que visite o The Castro ou a cidade Provincetown em Cape Cod, Massachusetts, vai ver que não irá encontrar numa personagem demoníaca e que ao contrário dos “seus” sisudos Dez Mandamentos (que tal como o Alcorão tem servido, erradamente, de justificação para muitos conflitos, contendas e Inquisições), irá encontrar alegria, boa disposição e algumas lantejoulas, vá. Ah! E não diga nada quando voltar, ponha só a Rainbow flag à porta de casa ou na antena do carro. Vai ver que se irá sentir um melhor cidadão, mais completo.
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