Put yourself on the eye of the street

A menos de duas semanas para mais umas, excessivamente caras, eleições autárquicas. Com mais ou menos jeito, os candidatos desdobram-se em jantares, comícios, arruadas e os já míticos afins.

Ontem, de lá longe do Ocidente, veio o debate que todos os “santacruzenses e os habitantes de Santa Cruz” aguardavam, só não esperam que fosse tão fraquinho, isso para ser simpático.

Da “ilha maior”, do Norte, de S. Roque vieram os candidatos para o segundo debate da noite. É certo que trinta minutos não dão para muita discussão mas também é justo afirmar que as propostas eram escassas ou verdadeiramente estúpidas: um hotel?! É isso mesmo que faz falta. Aprendam com os erros dos vossos vizinhos da Madalena e o seu mamarracho no meio da lindíssima vila, ou com os de Santa Cruz das Flores que construíram um hotel (que muito possivelmente não terá muita afluência) no meio de um parque industrial.

Falou-se da freguesia da Prainha, um excelente exemplo para o resto dos Açores, com o seu Parque Natural, com dezenas de quartos em regime de turismo rural, uma solução equilibrada, em perfeita harmonia com a Natureza e os restantes habitantes e muito mais acolhedora e pessoal do que um hotel, principalmente os de arquitectura dúbia e desadequados às nossas ilhas. Um local onde edifica, provavelmente o restaurante mais bonito dos Açores, já por nós apresentado – o Canto do Paço. Ora é precisamente nesse local paradisíaco que também está uma unidade industrial de construção civil, é que, embora pequena, estraga um pouco a vivência e o carisma do sítio. Não haveria outro local para isso. Os parques industriais servem para quê? São seria mais fácil deslocar a pedra para um desses parques industriais em vez de reedificar um PT (posto de transformação) que iria descaracterizar a freguesia. É essa a sensibilidade que falta a muitos dos nossos governantes.

Com frases vazias como: “vamos fixar os jovens e as empresas”, felizmente, já não conseguem enganar muitos. Vão fixar como? Cola super3? Urge mudar. Se querem seduzir empresas, baixem a carga fiscal, criem melhores condições nos parques industriais, melhorem a rede de transportes públicos. Para fixar jovens, para além de postos de trabalho é necessário medidas eficazes porém muito simples. Que tal se baixassem o IMI ou em certos casos abolir por completo. Que tal se incentivassem o aumento da taxa de natalidade, com ajudas financeiras atribuídas no nascimento mas também durante todo o percurso escolar das crianças e jovens, como por exemplo entregar, no mês de Setembro um cabaz escolar. Que tal se criassem uma rede de pequenas e muito funcionais bibliotecas, muito mais próximas da população. É que para além de criar mais um posto de trabalho seriam um importante instrumento de trabalho para os estudantes e não só.

Não são com ideias mirabolantes de hotéis, avenidas “com duas faixas de rodagem em cada sentido e um separador central com igual dimensão”, “Central de Camionagem de Ponta Delgada devia ficar em Santa Clara” (vamos lá pensar um pouco: as actuais pessoas, antigo Povo, só não estaciona o carro dentro do seu posto de trabalho porque não cabe, iam andar mais de 3 km – que é quanto dista o antigo matadouro do centro histórico de Ponta Delgada?! Não creio. Já agora, gastaram-se milhões para desviar o trânsito dos centros da Lagoa, Livramento e S. Roque e agora vêm esses senhores com mais uma varada ideia que o parque de estacionamento das Milícias, serviria os carros provenientes dos concelhos de Lagoa e Vila Franca. Como é que eles lá chegam? É que da via rápida não é muito fácil chegar à praia das Milícias e ao seu parque de estacionamento. e há ainda o pequeno pormenor de que esses condutores levariam 10 minutos da Lagoa até à praia, por exemplo e depois mais 10 minutos à espera do mini-bus e ainda mais 15 a 20 minutos para chegarem até ao centro de Ponta Delgada. Fizeram as contas? Pois dá 40 minutos. Pior do que isso só em Lisboa ou Porto. E as pessoas que têm filhos? E por aí fora. Portanto senhores do PP, ideias novas são bem-vindas mas como essas não vale a pena.)

As autárquicas têm a vantagem de aproximar o Povo aos seus governantes, por isso meus caros políticos façam o favor de escutar melhor aqueles que os elegem.

1 comentário:

Anónimo disse...

Eu quero mais festas!
Noites de Verão, Inverno, Outono e Primavera para beber caipirinhas!
Bailes brancos, pretos, amarelos e mestiços no Coliseu!