Put yourself on the eye of the street

"Espanhóis vão construir dois novos navios para o Triângulo"

E pronto, acordamos muito bem dispostos com essa noticia do AO de hoje, 11 de Abril de 2012 e pensamos logo nas 600 famílias que correm o risco de perderem o emprego em Viana do Castelo - uma cidade bem portuguesa.

"A Atlânticoline assinou um contrato de 18,6 milhões de euros com os estaleiros espanhóis ‘Astilleros Armon’ para a construção de dois navios para transporte de passageiros e viaturas entre as ilhas do Triângulo, nos Açores."

18.6 milhões de euros em trabalho que vão, directamente, dos nosso impostos para os cofres de uma qualquer empresa espanhola. E assim vamos lá?!

Engraçado, ou nem por isso, é que esses mesmo senhores que tomam essas decisões, parvas e estúpidas, fartam-se de pedir a solidariedade dos restantes portugueses para com as ilhas. Sim, sim é isso mesmo que os portugueses do continente precisam de ouvir por essa altura.

Não estamos a falar de subsídios ou de uma outra qualquer artimanha que têm levado Portugal à falência e à auto-destruição. Estamos a falar de trabalho. Trabalho que iria ajudar a desenvolver, ou até mesmo sobreviver, uma cidade, uma região e, mais importante do que isso, a milhares de famílias. Não gostavam de Viana de Castelo, há outros. Sesimbra e outros. Ou já se esqueceram que fomos nós que demos a conhecer ao Mundo novos Mundos, pelo Mar.

Eu percebo que quanto mais mexemos na merda mais ela cheira mal. Mas já percebemos que o erro foi vosso. Mudar, várias vezes, de ideias e depois pedir para que essa ideia custe o mesmo e tenha as mesmas características não dá certo. Vamos por isso num exemplo mais pratico. Vamos ter com um arquitecto e pedimos para ele desenhar a nossa futura casa, com um orçamento e umas determinadas características. A meio do processo de construção eu mudo de ideias, várias vezes e depois, no fim, não posso pedir que a casa custe o mesmo ou que não ocupe mais espaço e por ai fora.

Infelizmente em Portugal há muitas pessoas assim: o que vem de fora é sempre melhor. E se virmos os exemplo, bons, dos outros. Lembro-me de uma senhor Japonês, Toshihiro Arai que veio cá, participar o nosso Sally, do ano passado, que para além de muito simpático, não podendo alugar um Subaru - porque não havia, alugou uma viatura de uma outra marca do seu pais - um Nissan. E atenção que esse senhor é apenas uma dos "patrões" da Subaru. Não será à toa que o Japão é um dos países mais desenvolvidos do Mundo mesmo emergindo de uma terrível Guerra que destruí o país quase todo.

Meus caros, não custava muito. Para que os 18 milhões e muitos de euros ficassem em Portugal bastava os senhores copiassem muitos dos vossos "concursos" para contração de pessoal para o quadro e afins - faziam um concurso à medida. E nesse caso era muito simples. Era só por lá no concurso que os concorrentes teriam que possuir um farfalhudo bigode e uma unha do dedo mendinho avantajada.

"Na sua intervenção[Vasco Cordeiro], salientou ainda que os novos barcos vão oferecer também “melhores condições” para o transporte de doentes, não só devido à enfermaria que existirá a bordo, mas também porque as ambulâncias poderão ser transportadas"

Sim, sim estão a ver uma ambulância a ser transportada de uma ilha para a outra?! E a essa mesma ilha ficaria servida com que ambulância?! Em S. Jorge, por exemplo só existem 4/5 ambulâncias. Ora, se uma vai até à Horta, transportar um doente, uma outra vai fazer um serviço aos Rosais ou à Fajã do Ouvidor, restam quantas para responder a uma emergência?!

2 comentários:

Anónimo disse...

O GACS (também ele fruto do investimento na nossa economia...), acrescenta esta pérola à noticia:
“Tendo em conta o volume de investimento necessário foi entendido que esses fundos deviam ser aplicado na nossa economia e não enviados para fora”, referiu.

Paulo César disse...

Parece-me uma questão de orgulho mal resolvida!