Não sei quem é o Wilson Ávila, mas gostava muito de o conhecer. Só para oferecer-lhe um cerveja, um licor de Amora - do Pavillon e um lugar aqui no Candilhes. É que quem escreve um texto como o de hoje, no Açoriano Oriental (já agora parabéns também a eles, pois é preciso coragem para publicar um texto assim), merece isso e muito mais. Vejam com os vossos próprios olhos.
"O Petróleo dos Açores"
"Conforme muito se suspeitava, a Região Autónoma dos Açores tem uma valiosa fonte petrolífera, algures entre os fundos do atlântico e as carteiras dos contribuintes. Seja como for, nós, Açorianos, só temos motivos para celebrar, num momento em que Carlos César afirma nos Estados Unidos da América que “os Açores têm folga para dar apoios públicos para compensar efeitos da crise”.
Numa altura em que o País se encontra na (ou à beira da) bancarrota, eis que o “Dubai” de Portugal se encontra a 1500 Km de Lisboa, num paraíso governado pelo Presidente César. Confesso que comecei a desconfiar da grande riqueza que existe nestas ilhas e que, só por maldade (!), muitos fingem não conhecer, com as seguidas inaugurações caras e pomposas, dignas de representação pontifícia, que foram ocorrendo por esta região nos últimos anos.
Seja a inauguração das Portas do Mar (3 milhões de euros na festança) ou, de igual importância, um guindaste na Graciosa (a um preço mais modesto) e, ainda, um rotunda (!) na ilha de São Jorge, com direito a um comité de honra composto por uma “catrefada” de secretários regionais. Mais tarde, subsídios para os funcionários públicos com salários entre 1500 e 2000 euros para evitar os cortes de 5% (corresponde a 87,5€, em média) nas retribuições, numa altura de austeridade necessária.
Ora, perante estas e outras infinitas evidências que não vamos agora enumerar, volto a afirmar que só por maldade (!) ninguém vê a riqueza exuberante desta nossa Região. Mas preparem-se porque, muito em breve, vai tornar-se claro. A julgar pelo que tem sido a experiência sob tutela deste rico Governo, vamos assistir, quiçá, a um aumento do subsídio aos funcionários públicos; a uma majoração aos gestores de empresas públicas; à construção de guindastes em tudo quanto é pedra de calhau e ao nascimento de rotundas em tudo quanto é estrada – talvez até duas por estrada; veremos lançamentos de primeira pedra e inaugurações de paredes com direito a banda filarmónica e guarda de honra!
Quanto aos que recebem o salário mínimo, deixarão, também, de ter motivos para se preocupar: é que a riqueza é tanta que, perante estas declarações, só podemos esperar que se baixe o IVA em 2 ou 3 pontos percentuais, e se suavize os descontos para IRS. Do mesmo modo, será propício para os pequenos empresários fazerem crescer os seus negócios, com o IRC a baixar a pique e os subsídios de incentivo que vão escorrer pelos dedos das mãos!
Relativamente ao facto de os Açores terem sido a Região com maior subida de desemprego do País, no passado mês de Março, há a dizer que nem isso é motivo para a mais simples preocupação: César está cá, com a sua “folga”, para distribuir RSIs e, quem sabe, com uma majoração adicional e tudo! Contudo, nos meandros de todo este profícuo futuro que se avizinha e que se pode, com toda a segurança (!), retirar das boas novas avançadas pelo nosso querido Presidente, restam algumas dúvidas que não possuem uma resposta tão óbvia quanto todos nós gostaríamos.
É o caso de saber, por exemplo, para quando se presume o início de um programa governativo de cabeça, tronco e membros, elaborado em camadas e numa lógica de progresso, que inverta a tendência (por demais) flagrante de desertificação de muitas das nossas ilhas? Para quando se prevê uma política de transportes marítimos que faça chegar às ilhas centrais um movimento minimamente aconselhável a incentivar as pessoas a investir no Turismo, ou que ligue as mesmas ao Arquipélago mais do que duas (?) vezes por semana? Quando vai o Governo dispensar algum do seu abundante capital para criar incentivos (reais, claros e acessíveis) aos jovens que se fixem nas ilhas “de baixo”? Em que momento está previsto o cessar de obras pontuais e desconexas, sem sentido de progresso, e o início de uma estratégia mais do que necessária – urgente – para voltarmos a olhar os Açores como Nove ilhas?
São questões cujas respostas, espero, não tardem a surgir de forma positiva e credível. Afinal, entre as 41 Secretarias e Direcções Regionais que compõem o Governo (em tempos antigos eram menos de metade e chegavam…), umas dúzias de assessores e uma equipa de representantes de ilha de tão alta craveira, há-de haver quem possa perder tempo a pensar um pouco sobre o futuro, e menos na forma mais fácil e rápida de adquirir umas “sacas” de votos. Para terminar, não posso deixar de oferecer um forte aplauso ao Governo por uma iniciativa tão bem pensada como é o caso da aposta em casas de repouso para idosos. De facto, por este andar, nunca serão de mais para alojar os habitantes que forem resistindo, nas ilhas “de baixo”.
P.S. Perdoem-me os leitores por um eventual sarcasmo excessivo. A verdade é que, por vezes, certo tipo de declarações por parte de quem tem a responsabilidade de gerir o futuro da minha terra me deixam sinceramente mal humorado…"
1 comentário:
Gostei de ler!
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